sexta-feira, 16 de abril de 2010

1962



BRASIL É BICAMPEÃO MUNDIAL COM GARRINCHA

Garrincha foi o destaque da seleção brasileira que atravessou os Andes para defender a Taça Jules Rimet no Chile em 1962. Amarildo, Zito e Vavá marcaram os gols que derrotaram a Tchecoslováquia na final, mas não há dúvidas sobre quem foi o verdadeiro herói do bicampeonato do Brasil na Copa do Mundo da FIFA. No auge da carreira, aos 25 anos, Garrincha foi descrito pelo jornal francês "L'Equipe" como "o ponta-direita mais extraordinário que o futebol já conheceu."

O plantel brasileiro trazia nove jogadores campeões mundiais em 1958, mas sob o comando de um novo treinador, Aymoré Moreira, que assumiu depois que Vicente Feola deixou o cargo por problemas de saúde. Aymoré era irmão de Zezé Moreira, que havia dirigido o Brasil em 1954 na Suíça. O novo treinador montou um 4-3-3 e a seleção estreou com vitória de 2 a 0 sobre o México, gols de Zagallo e Pelé.

A partida contra os mexicanos acabou sendo a última disputada por Pelé naquela edição da Copa do Mundo da FIFA. No segundo jogo do Brasil, contra a Tchecoslováquia, o atacante de 21 anos deixou o campo com uma lesão na coxa esquerda. Para ele, o mundial tinha chegado ao fim. Mas com os dribles mágicos e o poder ofensivo do craque Garrincha, a contribuição importante de Zagallo — futuro campeão mundial como técnico em 1970 —, e Amarildo, que teve a honra e a responsabilidade de substituir Pelé, os brasileiros conseguiram superar a ausência do seu camisa dez.







COPA DO MUNDO DA FIFA CHILE 1962. Fifa.com. Disponível em http://pt.fifa.com/worldcup/archive/edition=21/overview.html Acesso em: 18 mai. 2010.














1958




Nasce o Rei do Futebol no primeiro título do Brasil

Os dias longos e ensolarados do verão sueco formaram o cenário dourado do primeiro triunfo do Brasil na Copa do Mundo da FIFA em 1958, mesmo ano em que um jovem jogador de 17 anos chamado Pelé anunciou a sua presença aos admiradores do futebol espalhados pelo planeta.
Com uma nova organização tática e dois gênios no ataque, Pelé e Garrincha, o Brasil derrotou a Suécia por 5 a 2 na final disputada no Estádio Rasunda e se tornou o primeiro país a erguer a taça em outro continente. Mas os brasileiros não foram os únicos heróis do torneio. Artilheiro do Mundial com 13 gols em seis jogos, o atacante francês Just Fontaine estabeleceu um recorde que permanece até hoje, e ainda ajudou seu país a conquistar a terceira colocação. Nada mal para um jogador que só foi escalado devido à lesão do titular René Bliard.
Sob o comando do técnico Vicente Feola, a seleção brasileira não tinha deixado pedra sobre pedra durante a preparação para o desafio de finalmente chegar ao topo do mundo. Após três meses de treinamento intensivo, os brasileiros excursionaram pela Europa antes de chegarem à Suécia com uma grande delegação, da qual fazia parte até mesmo um psicólogo. Feola montou um inovador sistema 4-2-4, mas só escalou Pelé e Garrincha na última partida da fase de grupos, contra a União Soviética. Com Pelé fazendo companhia a Vavá no ataque e Garrincha atuando pelo flanco, o Brasil venceu os soviéticos por 2 a 0 e garantiu a primeira colocação.
A anfitriã Suécia chegou à final fortalecida pela decisão de permitir que jogadores profissionais atuassem pela seleção nacional. A medida possibilitou o retorno de atletas que jogavam na Itália, sobretudo de Gunnar Gren e Nils Liedholm, astros do grupo que havia conquistado o Torneio Olímpico de Futebol de 1948, e do jovem atacante Kurt Hamrin. No entanto, a preparação dos suecos não havia sido nada comparada à do Brasil. Bengt Gustavsson, por exemplo, outro jogador do contingente italiano — o mesmo que levaria um chapéu de Pelé na decisão —, juntou-se à seleção apenas três dias antes da partida de estreia.



COPA DO MUNDO DA FIFA SUÉCIA 1958. Fifa.com. Disponível em: http://pt.fifa.com/worldcup/archive/edition=15/overview.html Acesso em: 18 mai. 2010.

1954



Copa do Mundo FIFA de 1954

A Copa do Mundo FIFA de 1954, a quinta edição do certame, foi sediada na Suíça de 16 de junho até 4 de julho. Era o ano do 50º aniversário da FIFA, portanto era apropriado que a competição máxima do futebol fosse jogada no país de seu órgão maior, e a Suíça foi escolhida como anfitriã em julho de 1946. O torneio foi vencido pela Alemanha Ocidental ao bater a Hungria na final por 3 a 2 sacramentando assim o primeiro título aos germânicos.
Pela primeira vez uma Copa teve cobertura pela televisão, e moedas comemorativas foram cunhadas por causa do evento. A partir dessa Copa, o Brasil passsou a usar o uniforme com a camisa amarela e o calção azul. Depois da derrota no Mundial de 1950, o uniforme antigo (camisa branca e calção azul usado desde 1919) foi considerado uma das fontes de azar. Em 1953, o professor e jornalista gaúcho Aldyr Garcia Schlee venceu outros treze candidatos no concurso para escolha do novo uniforme. Como vencedor recebeu uma cadeira cativa no Maracanã, um estágio como desenhista no extinto jornal Correio da Manhã e uma soma em dinheiro
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1950


CELESTE OLÍMPICA CALA O MARACANÃ

O Brasil construiu o maior estádio de futebol do planeta para sediar a Copa do Mundo da FIFA 1950, mas a esperança de consagrar o gigantesco Maracanã com o primeiro título mundial foi destruída após uma das maiores surpresas da história da competição.
A Copa do Mundo da FIFA 1950 não teve final, pois foi decidida em um quadrangular. Mesmo assim, Brasil e Uruguai fizeram justamente na última rodada da fase final a partida que decidiu o torneio. Precisando de somente um empate, a seleção brasileira abriu o marcador com Friaça aos dois minutos do segundo tempo, mas o Uruguai conseguiu a virada com gols de Juan Schiaffino e Alcides Ghiggia. Um silêncio ensurdecedor de 200 mil vozes foi ouvido no Maracanã, e o pequeno país vizinho comemorou no Brasil o seu segundo título mundial.
O Uruguai, campeão mundial em 1930, só precisou disputar uma partida (goleou a Bolívia por 8 a 0) para chegar ao quadrangular final. Na fase decisiva, o selecionado saiu perdendo todas as três partidas, mas conseguiu na última a virada que entrou para a história como o Maracanazo.
A competição no Brasil foi a primeira Copa do Mundo da FIFA após a Segunda Guerra Mundial. Durante todo o conflito, o cobiçado troféu ficara escondido em uma caixa de sapatos sob a cama do italiano Ottorino Barassi, vice-presidente da FIFA. Com o retorno da paz, ele ganhou o nome de Taça Jules Rimet para comemorar o renascimento da competição.







COPA DO MUNDO DA FIFA BRASIL 1950. Fifa.com. Disponível em http://pt.fifa.com/worldcup/archive/edition=7/overview.html Acesso em: 19 abr. 2010.

1938



VITTORIO POZZO, O ARQUITETO DO BICAMPEONATO MUNDIAL ITALIANO



Com as nuvens da guerra fechando o tempo sobre a Europa, a terceira Copa do Mundo da FIFA aconteceu em meio a muita tensão. Mesmo assim, o futebol proporcionou momentos de alegria aos torcedores em um festival que durou 15 dias. O Brasil encantou o mundo com um estilo exuberante, mas foi a Itália que se sagrou campeã graças à sua força e regularidade.
Além do técnico Vittorio Pozzo, somente quatro campeões mundiais em 1934 voltaram a defender a Itália na competição em solo francês. Dois deles, os meio-campistas Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari, tiveram participações decisivas ao lado do atacante Silvio Piola, que marcou dois gols na vitória por 4 a 2 sobre a Hungria na decisão. Com o resultado, a Itália foi a primeira seleção da história a conquistar um bicampeonato consecutivo da Copa do Mundo da FIFA, feito que só viria a ser igualado pelo Brasil 28 anos depois.
A competição em 1938 foi o último grande evento esportivo antes da guerra no ano seguinte. A Espanha já sofria com a guerra civil e não pôde viajar até a vizinha França. Já a anexação da Áustria pela Alemanha reduziu o número de participantes de 16 para 15. Na verdade, diversos jogadores austríacos apareceram na seleção alemã. Entre os sul-americanos, a Argentina (que queria ter feito o torneio em casa) e o Uruguai resolveram não participar, enquanto o Brasil viajou à Europa para fazer em uma encharcada Estrasburgo um dos jogos mais emocionantes de toda a história da Copa do Mundo da FIFA.



COPA DO MUNDO DA FIFA FRANÇA 1938.Fifa.com.Disponível em: http://pt.fifa.com/worldcup/archive/edition=5/overview.html 18 mai. 2010.

1934



DÍVIDA PAGA
Brasileiro entra para a história ao perder o primeiro pênalti das Copas, mas apaga falha duas décadas depois.

Ele foi um pioneiro. Inicialmente, quebrou tabus no seu país. Depois, em um lance infeliz, entrou para a história dos Mundiais.
A mais pífia das 16 participações brasileiras em Mundiais, na Itália, em 1934, teve um personagem que simbolizou o agitado período do futebol do país na época.
Naquele tempo, quando o esporte já conquistava fãs em todo o país, demostrações de preconceito racial e uma conturbada disputa entre profissionais e amadores emperravam o desenvolvimento da modalidade.
Atleta do São Paulo da Floresta e negro, era quase uma exceção em um esporte que, para muitos clubes, era exclusividade de jogadores brancos. Seu irmão, Petronilho, que também defendeu a seleção, é apontado como um dos primeiros negros a jogar futebol.
Foi também um dos primeiros a deixar o amadorismo e se tornar profissional, o que lhe valeu a fama de “mercenário”. Assim, seguiu os passos do irmão Petronilho, cruzou a fronteira para jogar na Argentina, onde superou preconceitos e acabou se tornando uma estrela.
O conflito entre profissionais e amadores fez com que o Brasil fosse à Itália bastante desfalcado. Para conseguir montar a seleção, a CBD, que então era amadora, precisou negociar com cada jogador individualmente.
Essa situação causou fatos inusitados. Para evitar que seus jogadores fossem aliciados, o Palmeiras, então chamado Palestra Itália, teria escondido seus melhores atletas em uma chácara para que eles não tivessem contato com os homens da CBD.
Se falhou no clube do Parque Antártica, a entidade que cuidava do futebol do país teve sucesso no São Paulo da Floresta. O meia do time da capital paulista foi um dos poucos profissionais, que aceitaram o desafio, mas, quis o destino, ele acabou o torneio colhendo uma grande decepção.
Não bastasse a equipe enfraquecida por problemas financeiros, uma viagem de navio – que durou duas semanas – deixou a seleção brasileira com um péssimo condicionamento físico.
O regulamento da competição também atrapalhava. O Mundial de 1934 foi todo disputado em jogos eliminatórios. Assim, uma derrota já significava a desclassificação direta.
Desgastado e desfalcado, o Brasil entrou em campo para enfrentar a então poderosa Espanha, no dia 27 de maio, em Gênova.
Na véspera do confronto, o goleiro espanhol Zamora, um dos mitos da posição, teria “espionado” o treino dos sul-americanos, observando, principalmente, o jeito de finalizar dos atacantes.
Assim, teria acumulado subsídios para se tornar herói do jogo e transformar um brasileiro no primeiro jogador a perder um pênalti na história das Copas. Com a falha do atleta do São Paulo da Floresta, o Brasil perdeu a chance de endurecer o jogo contra os espanhóis, que acabaram vencendo por 3 a 1 e despacharam a seleção de volta para casa.
Mais de 20 anos depois daquela infeliz tarde na Itália, Valdemar de Brito “pagou com juros” pelo erro cometido. Ele deixou de ser o jogador que perdeu um pênalti na pior Copa do Mundo disputada pelo Brasil para entrar na história como o homem que descobriu Pelé, já que foi ele quem trouxe Edson Arantes do Nascimento de Bauru (SP) para treinar no Santos Futebol Clube.







COBOS, Paulo; SOARES, Fábio. O Brasil nas copas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 mai. 2002. Especial D3.

1930




TOQUE DE LETRA
Primeiro artilheiro do Brasil cresceu em meio a uma acirrada polêmica entre intelectuais sobre o futebol.




Foi na sisuda Academia Brasileira de Letras que o primeiro destaque do país nas Copas do Mundo, em 1930, teve uma ajuda decisiva para impulsionar sua carreira de futebol.

No início do século passado, dois ilustres intelectuais ocuparam trincheiras opostas no debate sobre o esporte que começava a tomar conta do país.
De um lado, estava Lima Barreto, um dos mais conceituados escritores brasileiros, que não perdia a chance de atacar a modalidade. Para ele, o futebol seria apenas mais uma oportunidade para a elite branca exercer seu poder sobre os negros, então proibidos de jogar na maior parte dos clubes no início do século 20.


Na oposição a Barreto estava um autor de sucesso com o público de sua época, mas que não era muito bem visto pelos críticos. Por defender abertamente o futebol em jornais e na ABL, Coelho Neto se transformou em “inimigo número um” do autor de “O Homem que Falava Javanês”. Lima Barreto não entendia como um respeitado membro da academia podia perder tempo com tão “desprezível” prática esportiva.
Além de artigos a favor da então “moderna” modalidade, Coelho Neto, fanático torcedor do Fluminense – um dos muitos clubes que menosprezavam jogadores negros - ,mostrava seu entusiasmo com o futebol ao icentivar seus filhos a praticá-lo.
O primeiro a se destacar foi Mano, que chegou à seleção, mas teve sua carreira interrompida de forma trágica. Ele morreu no início da década de 20 após sofrer uma contusão em uma partida.
O triste acontecimento não reduziu o entusiasmo de Coelho Neto pelo futebol, ainda mais porque outro filho seu começava a brilhar. E seria justamente esse rapaz que teria a primeira chance de comemorar um gol brasileiro em um Mundial.
Jogando em uma equipe enfraquecida pela disputa entre cariocas e paulistas – o que acabou desfalcando o time nacional na competição no Uruguai - , o filho do maranhense Coelho Neto – que chegou a escrever um poema de apoio ao time – foi um dos poucos destaques brasileiros.
Contra a Iugoslávia, na estréia, marcou o gol de honra na derrota do Brasil por 2 a 1.
Depois, em jogo no qual a seleção só cumpria tabela, marcou mais duas vezes na vitória de 4 a 0 sobre a Bolívia.




Assim, depois de se tornar o artilheiro brasileiro no Uruguai e conquistar centenas de medalhas pelo Fluminense em diversas modalidades (também praticava vôlei, atletismo e natação), o atacante Preguinho acabou por mudar o status da família.
Na condição de astro do futebol, ele deixaria de ser conhecido apenas como filho do famoso escritor. Depois do seu sucesso com a bola nos pés, seria Coelho Neto que passaria a ser conhecido como o pai de Preguinho.




COBOS, Paulo; SOARES, Fábio. O Brasil nas copas. Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 mai. 2002. Especial D2.




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